
Por Psicólogo Douglas
Amorim
A forma como nos relacionamos com a
comida é aprendida. Quando criança não temos o pensamento crítico suficiente
para compreendermos como estamos estruturando o nosso próprio pensamento. E assim sendo, absorvemos
o que conseguimos dos hábitos de nossa família. Passamos a nos comportar diante
da comida com uma questão afetiva. Decidi fazer essa lista por considerar que é
responsabilidade dos pais ensinar seus filhos à se relacionar de uma forma saudável
com a comida.
Sou um ex obeso, perdi cerca de
65kg após realizar uma cirurgia.
1) Elogiar
quando o filho come tudo.
Essa é uma prática dos pais. Acreditam
que comer tudo o que está no prato é a forma correta de se alimentar. E não é.
Comer correto é fazer escolhas saudáveis e comer conforme a fome. Se você
estimula ele a limpar o prato, você não está permitindo que ele descubra qual é
o tamanho da fome dele. Elogie quando ele come certo, verduras, frutas, quando
bebe água.
2) Perguntar
se ele quer mais.
Acredite, se ele desejar mais comida irá
te informar. O hábito de repetir irá fazer com que ele sempre deseje repetir.
Mesmo sem fome. Muitas vezes sem até vontade, só pelo fato de acreditar que é
esse o correto.
3) Falta
de horário
Se as refeições não tiverem horário, e
isso inclui as sobremesas (biscoitos, bolos, iogurtes, etc.), será mais difícil
controlar o horário deles desejarem o alimento. Se houver uma rotina alimentar,
muito bem desenhada e exposta à criança, ela se encaixará. Se não há horários
para eles dormirem também irá fazer com que a rotina se quebre, que deseje
comer até tarde e acorde sem fome.
4) Comer
fora da mesa.
Se alimentar na mesa faz com que a
criança preste atenção no que está comendo. Ela se relaciona com comida de
forma mais cerimoniosa. Aprende que aquela é a hora para se alimentar, e também
não se distraem com outros estímulos, como a tv por exemplo. A saciedade tem a
ver com percepção, se o foco for outro que não o alimento, com toda certeza irá
comer um volume muito maior de comida.
5) Achar
bonitinho ele ser “gordinho”
Se você associa beleza à um padrão físico,
por uma questão de autodefesa, caso seu filho já esteja acima do peso, acabará
dizendo que ele é bonitinho sendo gordinho. Isso cria uma imagem na cabeça
dele. A comida acaba tendo um aspecto afetivo de se manter gordinho porque
assim é bonito, porque os pais acham bonitinho.
6) Não
ensinar a diferença entre fome e vontade de comer
Isso parece algo óbvio, mas muitas
crianças não sabem essa diferença. Ensine seu filho como é a dor da fome. E que
há apenas a vontade de comer. Se houver uma rotina alimentar, ele saberá
controlar a vontade comer para saciá-la nos horários das refeições.
7) Não
criar rotina de exercícios ao ar livre
É importante ensinar sobre as
atividades físicas. Incentiva-lo a encontrar uma atividade que lhe dê prazer e
apoiá-lo em sua escolha. Isso se faz criando rotinas de passeios em parques,
clubes, pistas de caminhada. Ou, ao menos comprando uma bola, instalando uma
cesta de basquete no quintal.
8) Associar
lazer/passeios à comida.
Ir ao shopping fazer compras, ir ao
cinema, ao circo, ao teatro, à festas, realizar viagens, é associado à comer
muito? É associado à comer coisas de alto teor calórico e em excesso? Possivelmente
seu filho irá aprender isso e replicar sem crítica esse hábito.
9) Pular
refeição.
Eu sei que você já ouviu isso de muitos
profissionais Nutricionistas, por isso mesmo
devo reiterar, não se deve pular nenhuma refeição. E isso inclui o café da
manhã. Esse hábito é importante para a criança dar significado de fome às
refeições. Que a vontade de comer pode ser controla e saciada nesses horários específicos.
Importante organizar-se para que sempre tenha a possibilidade de alimentar as
crianças quando estiver fora de casa. Talvez carregar frutas, ou outros
alimentos também saudáveis.
10) Usar
o alimento como compensação ou prêmio
Se você utiliza o alimento como prêmio
para algum comportamento da criança, estará associando a comida à merecimento.
O pensamento da criança será estruturado à possível “eu mereço esse bolo”, “eu
mereço essa batata frita”. E nesse sentido a comida será utilizada como
compensação afetiva ou como válvula de escape.
Lembre-se, seu filho não sabe muitas
coisas que você sabe. E todas essas dicas precisam ser observadas. O que você
tem ensinado à seus filhos no que tange alimentar-se? Talvez ele esteja perdido
nesse sentido, e se faz necessário que você ensine. Um filho obeso é
responsabilidade dos pais e se hoje você acha “bonitinho”, saiba que ele
sofrerá muito por estar fora do peso. Não ceda quando ele chorar pra comer fora
do horário. Mantenha a rotina alimentar, ele logo aprende e no futuro com toda
certeza irá lhe agradecer. Você quem sabe o melhor para eles.
Douglas Amorim é psicólogo, atende em Cuiabá crianças, adolescentes, adultos. Coordena um grupo terapêutico para pacientes no pré e no pós-operatório da cirurgia bariátrica. Há 3 anos realizou a cirurgia bypass e emagreceu 65kg.
Realiza atendimento online e publica diariamente frases e pensamentos no perfil do Instagram: www.instagram.com/umpsicologoemcuiaba
Agendamentos de consulta pelo WhatsApp 65 9 9293 9445
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