quinta-feira, 9 de junho de 2016

10 coisas que todo Bariatricado gostaria que você soubesse!




Eu tenho 3 anos de bypass, emagreci 65 kgs e ouvi muita coisa que não me ajudou no meu processo. As pessoas às vezes projetam na avaliação que fazem da cirurgia bariátrica suas posições a partir de inverdades sobre ela. Muitas dessas frases que ouvi não foram respondidas da maneira que eu deveria  ter respondido. Me deixaram tristes ou com raiva e só fui adquirir habilidade emocional após certo período. Como sou psicólogo, cuido para desenvolver em mim habilidades emocionais que proporcione eu transformar e filtrar o que eu ouço, para que não seja um gatilho de sentimentos ruins.
Já enfrentamos tantas coisas sendo obeso, não é verdade? Coisas essas que contribuíram para que fosse tomada a decisão em se submeter à cirurgia, e não obter apoio das pessoas pode ser algo que nem todo mundo está preparado pra lidar de forma positiva.
Por isso achei importante escrever sobre Coisas que todo Bariatricado gostaria que você soubesse!

1)     Obesidade é doença.
Quando optei pela cirurgia eu já tinha lutado com todas as ferramentas possíveis. A opção pela cirurgia não vem por conta da onda, não é desistência, não é porque é o caminho mais fácil. Pelo contrário, ela vem para corrigir e eliminar uma doença que não pude vencer sozinho (a).
2)     A cirurgia não é estética (não só).
Se eu me importo com estética? Sim, claro. Por isso corto o cabelo, mantenho as unhas limpas, compro roupas que me caiam bem. Exatamente como você. Mas, optei pela cirurgia porque sei que se não resolver essa questão agora, sofrerei muitas outras doenças que acompanham. Se eu vou ficar feliz de vestir um número 40/38? Com toda a certeza!
3)     Eu sabia das consequências.
Fiz muitas pesquisas sobre a cirurgia e as consequências dela. Conversei com pessoas e profissionais que conhecem muito bem cada coisa “ruim”. Sabia de experiências ruis e experiências ótimas de quem realizou, e ainda assim optei por ela porque me responsabilizei pelo risco.
4)     O processo de recuperação é lento.
Não espere que eu vá comer normal em menos de 1 ano. Sim, alguns alimentos me farão mal, vou entalar, vou vomitar, vou perder o apetite, vou ficar com cara de doente, talvez emagreça demais, talvez sinta dor de gases. Eu sei como está minha aparência e sei que faz parte do processo de recuperação.
 E ainda assim estarei feliz por ter me proporcionado a possibilidade de transformar minha vida. Logo tudo passa, porque sabia que o início era assim mesmo.
5)     Sim, sou uma pessoa normal.
Não há nada de diferente em mim. A não ser que estou em recuperação de uma doença chamada obesidade. Preciso me readaptar, refazer hábitos, mudar comportamento mediante à comida. Mas, se me der fome eu como. Às vezes mais, outras menos... Exatamente como minha equipe médica e profissional disse.
6)     Posso sim comer tudo.
Eu fiz a cirurgia para me auxiliar a emagrecer. Ela é um método de perda de peso rápido. Mas, eu não me transformei em uma árvore. Continuo “gente”, portanto tenho desejo por comida. Como de tudo (ou aquilo que me cai bem), só que em menor quantidade.
7)     Eu vou oscilar o peso e isso é normal até estabilizá-lo.
Eu sei quando eu aparentemente engordei um pouquinho. A balança me avisa sobre isso. E sei também que pode ser inchaço, retenção de liquido, ou apenas engordei mesmo. E isso não tem problema quando é entre dois e quatro quilos. Antes de dois anos não dá pra dizer que estabilizei o peso.
8)      Eu compreendo o que é ser obeso, você não.
Eu conheço os motivos que me fizeram optar pela cirurgia. Sei como é ser obeso em uma sociedade que valoriza a estética. Sei como é ter que trabalhar mais duro que os outros para ser respeitado, sei como é ser a segunda, terceira, quarta opção de alguém. Por isso, até compreendo sua opinião sobre a cirurgia, mas não aceito. Tudo bem ter sobrado um pouco de pele, tudo bem os desconfortos, tudo bem não comer mil pedaços de pizza no rodízio. Eu sei para onde não desejo voltar e isso me deixa feliz.
9)      Sim, posso mudar de comportamento.
Talvez eu tenha mudado mesmo. Porque o meu conceito sobre mim mesmo mudou. Já não há necessidade de me esforçar para agradar. E isso pode ser confundido com outras coisas, mas foi preciso me refazer e isso leva um tempo também.  
10) Eu sei que posso engordar de novo.
Sim, eu sei que posso engordar de novo. Por isso mudei a forma como me relaciono com a comida. Aprendi a saborear e a não comer desesperadamente. Aprendi a comer a quantidade da fome. Aprendi a fazer boas escolhas. E não deletei as fotos antigas. Quero que elas me lembrem do período que havia me abandonado e, como me sinto feliz e realizado hoje por ter ido lá me resgatar.



Muitas coisas ouvimos no nossos processo de recuperação. Precisamos lembrar que é um processo também para as pessoas que nos rodeiam. Elas não compreendem muito bem e precisam ser educadas por nós. As vezes iremos ouvir coisas que não gostamos e, quer saber? Tudo bem! As pessoas falam a partir de sua perspectiva. Elas não sabem o que estão dizendo. Então, para que isso não me faça me sentir mal, o melhor é enfatizar que foi uma decisão muito bem pensada e analisada, e que a opinião dela é apenas a opinião dela. Não se desgaste com essas pessoas, não gastem energia com elas. Gaste energia praticando exercícios, indo até a feira comprar frutas, correndo atrás do cachorro e das crianças que agora você consegue. Gaste energia indo comprar roupas novas naquela promoção que nunca pôde aproveitar. 

Douglas Amorim é psicólogo, atende em Cuiabá crianças, adolescentes, adultos. Coordena um grupo terapêutico para pacientes no pré e no pós-operatório da cirurgia bariátrica. Há 3 anos realizou a cirurgia bypass e emagreceu 65kg.
 Realiza atendimento online e publica diariamente frases e pensamentos no perfil do Instagram: www.instagram.com/umpsicologoemcuiaba
Agendamentos de consulta pelo WhatsApp 65 9293 9445

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