terça-feira, 23 de agosto de 2016

Consultório Virtual, uma nova realidade da Psicologia!



Com um sorriso sarcástico finalizou.

"Acho que eu deveria fazer psicologia. Sou quase psicóloga. Como manicure escuto todas as minhas clientes. Elas se abrem comigo. E atendo mais pessoas que você que é formada em psicologia. Quer saber, você que devia fazer um curso de manicure."
Aquilo entristeceu o coração da não tão recém formada assim. 
A manicure, e tantas outras profissionais, consegue esse lugar de confidente de suas/seus clientes, onde passa a se sentir um psicólogo amador, porque se aproxima destes. Cria relação.
Sabemos exatamente que tipo de serviço a manicure pode nos oferecer, não é mesmo? E a escuta ofertada acaba sendo uma consequência de estar à disposição. E os psicólogos, a população sabe o que eles podem oferecer? Sabem como pode ajudá-los em diversas situações? 
É preciso informar a população sobre a profissão. É preciso desburocratizar e desmistificar o acesso à psicoterapia. 
A maior ferramenta que temos de divulgação é a internet. Hoje no Brasil o número de lares brasileiros conectados à internet chegou à 32,3 milhões de domicílios em 2014. Pela primeira vez, 50% do total das casas estão conectadas, mostra a pesquisa TIC Domicílios 2014, realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br). 
Ou seja, temos uma população ávida por conteúdo e por acesso à informação. Essa é também a população interessada em seu próprio desenvolvimento. 
Se você perguntar para alguns deles se já ouviram falar do coach e se sabem como, ou em que um coach pode ajudá-lo, provavelmente saberão responder. Já um psicólogo... Talvez ficarão no estigma que psicólogo é para casos de surto ou extremidades. É justamente esse estigma que faz eles se aproximarem da manicure, do cabeleireiro, do coach, e tantas outros profissionais que prestam um serviço e por consequência, acabam se abrindo com eles. 
Mas, eles não possuem a ciência psicológica como manejo para ajudar as pessoas.
É necessário criar canais abertos para a população saber sobre a profissão, e  como pode ser ajudado em inúmeras questões por um profissional psicólogo. E a internet oferece inúmeras ferramentes para isso. As ferramentas de divulgação da profissão são Blogs, perfis no instagram ou facebook, videos no youtube. E agora serviços como o Psic.live. Que é uma plataforma de acesso à população que tem receios, ou incertezas, de como um psicólogo poderá contribuir com seu desenvolvimento. Este poderá experienciar o contato com um profissional e então, compreender a dimensão do seu trabalho.


 A cada pessoa conectada ao Psic.live não será apenas um cliente/paciente para o profissional, mas será uma pessoa que estará conhecendo a ciência psicológica e assim sendo um multiplicador da profissão. A psicologia só tem a ganhar com isso e as pessoas que gostaríamos de ajudar em seus desenvolvimento também.
Eu já atendo online há algum tempo e percebe que o atendimento online se aproxima de um modelo da psicoterapia breve. Se for pela resolução do CRP o atendimento online não se configura como psicoterapia, mas sim como orientação psicológica.
Ora, no que tange acolher a angústia do paciente, o termo utilizado faz alguma diferença? Sim, para os psicólogos terem clareza de que tipo de trabalho irá prestar. No ambiente virtual não cabe o tempo e o manejo de um consultório. A coisa é mais focal,  é seletiva. E isso exige um empenho do psicólogo diferente.
A minha experiência de atendimento online, me baseando na psicoterapia breve me ensinou  algumas coisas com isso.
1: Identificar um tema latente, especifico como início. Isso não delimitará ou restringirá a escuta e o trabalho como um todo. Será apenas o norte.
2: A postura do psicólogo será mais ativa do que é classicamente em um ambiente face-to-face. Não há espaços para o “silêncio”. A elaboração do paciente é a partir da intervenção mais direcionada.
3: Fazer perguntas mais direcionadas à conclusão. Exemplo: “Você acredita que isso te trará o resultado que deseja?”, “Há uma outra forma de fazer/falar isso?”, “Se eu fosse essa pessoa, aqui, agora na sua frente, o que diria”. Permitindo assim que o cenário da mudança seja “ensaiado”.
4: Há de se fazer um fechamento na sessão. O paciente precisa de um feedback da sessão. Sendo retomado pelo psicólogo aquilo que foi tratado durante a sessão.  A sessão seguinte é importante que se faça relembrar o que foi tratado.
5: Perguntar ao paciente sobre suas elaborações das sessões anteriores.
6: Pedir definições das palavras. Exemplo, se ele disse que é imaturo. Pedir para que ele defina o que ele acredita ser “imaturo”.

Essas são apenas algumas elaborações e compressão que tive a partir das minhas experiências em atendimento online. A ideia com este texto é ser apoio e inspiração aos colegas que estão partindo para esse modelo de atendimento. Não desejo com esse texto parecer um novo teórico, ou tão pouco ditar um modelo de atendimento. Supervisiono algumas colegas que já atendem online e fico à disposição para pessoas que desejam orientação online para atendimento online. 

- Douglas Amorim CRP 18/01648



Douglas Amorim é psicólogo, atende em Cuiabá crianças, adolescentes, adultos. Coordena um grupo terapêutico para pacientes no pré e no pós-operatório da cirurgia bariátrica.  Realiza atendimento online e publica diariamente frases e pensamentos no perfil do Instagram: www.instagram.com/umpsicologoemcuiaba
Agendamentos de consulta pelo WhatsApp 65 9 9293 9445